
existe um tipo muito específico de gente que realmente acredita que o exército dos eua é tipo uma cruz vermelha com fuzil. uma ong musculosa, altruísta, que atravessa oceanos movida por um impulso quase maternal de “vamos salvar esse povo que nem pediu ajuda, coitados”. é uma ingenuidade tão pura que chega a dar inveja. viver assim deve ser leve. confortável. acolchoado. uma vida sem ler o rodapé do contrato.
porque, veja bem, ninguém cruza meio planeta com porta-aviões, drones e marines por amor ao próximo. isso não é solidariedade, é logística. não é compaixão, é investimento. e investimento não entra em lugar nenhum sem fazer conta, projeção, análise de risco e, claro, sem olhar pro subsolo. sempre pro subsolo.
a democracia, nesse cardápio, é só o molho. bonito, fotogênico, fácil de vender. mas o prato principal nunca muda. petróleo, influência geopolítica, controle regional, uma bandeirinha fincada no mapa dizendo “isso aqui agora interessa”. o resto é discurso de aeroporto, daqueles que soam bem no jornal da noite e evaporam assim que as câmeras desligam.
e a metáfora da imobiliária é perfeita, porque é exatamente isso, chegam dizendo que vão reformar o bairro, prometem segurança, progresso, valorização do imóvel… e quando você percebe, já te expulsaram da própria casa, trocaram a fechadura e estão alugando o terreno pra uma multinacional. tudo dentro da lei, claro. a lei deles.
o mais irônico é que quem compra essa narrativa ainda se sente moralmente superior. “não, mas veja bem, eles estão levando liberdade”. liberdade pra quem? em qual embalagem? com quais juros? porque, curiosamente, essa liberdade sempre vem acompanhada de caos, inflação, instabilidade e um monte de gente morta que vira estatística conveniente.
no fim das contas, acreditar que guerra é sobre valores é como acreditar que salsicha é feita por fadas veganas. é reconfortante, mas só funciona enquanto você não entra na fábrica. e quando entra… bem, depois disso não tem como fingir que não viu o sangue no chão, o cheiro metálico no ar e o gerente dizendo, com um sorriso corporativo… “relaxa, isso aqui é pelo bem de todos”.
bon appétit.