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2025

não gostei e explico

eu olho pra isso e penso… sério mesmo? é isso que a gente resolveu vestir quando o mundo inteiro tá olhando? um país que inventou o improviso, a malícia criativa, a elegância suada do caos… representado por um casaco que parece um edredom de hotel caro fugindo de um incêndio, abraçado numa bandeira como se fosse um pedido formal de desculpas.

não me entendam mal. moncler sabe fazer casaco. sabe fazer frio parecer status. sabe vender a ideia de que sofrer a menos quinze graus é chique, desde que custe o equivalente a um carro usado. mas aqui, meus amigos, algo deu curto. curto criativo. curto cultural. curto de alma.

o brasil não perde porque ousa demais. perde quando tenta parecer outra coisa. e esse casaco é exatamente isso, o brasil tentando parecer suíça. tentando parecer milão. tentando parecer uma montanha que nunca subiu. um inverno que nunca viveu. é fantasia térmica pra país tropical, cosplay de neve pra quem cresceu resolvendo tudo com sombra, ventilador e cerveja gelada.

a bandeira ali não parece orgulho. parece peso. parece culpa. parece aquela toalha verde e amarela jogada nas costas pra disfarçar que, no fundo, não tem ideia nenhuma do que dizer. é volumoso demais, literal demais, óbvio demais. grita “olha, somos o brasil”, mas não diz absolutamente nada sobre quem a gente é.

cadê o risco? cadê a ironia? cadê a malandragem elegante? cadê a referência que não precise ser explicada em release de marketing escrito por alguém que nunca atravessou a rua fora da faixa? o brasil não é inflável. não é acolchoado. não é certinho. o brasil é contradição bem resolvida. e isso aí é só caro.

e o pior pecado de todos, não é feio de um jeito interessante. não é estranho. não provoca conversa. não incomoda ninguém de verdade. é só seguro. polido. internacional demais pra ser brasileiro e brasileiro demais pra ser realmente internacional. aquele limbo onde a criatividade vai pra morrer lentamente, sufocada dentro de um casaco de pluma premium.

talvez funcione numa vitrine em paris, com uma taça de espumante morno na mão e alguém dizendo “très concept”. mas em mim, não cola. porque quando o brasil entra em cena, eu espero suor, inteligência torta, alguma faísca de “foda-se o manual”. não um uniforme que parece pedir permissão pra existir.

não é ódio. é decepção bem informada. porque dava pra ser memorável. dava pra ser histórico. e escolheram ser apenas… caro.