Categorias
2025

loucura

eu olho pra tudo isso e, sendo bem honesto, às vezes parece que eu estou assistindo a um colapso em câmera lenta… com comentários ao vivo. não tem silêncio, não tem pausa, não tem aquele momento de “talvez a gente devesse parar e pensar”. tem reação. sempre reação. imediata, emocional, meio burra, e eu me incluo nisso sem nenhuma elegância.

eu vejo guerra rolando, gente morrendo, cidades virando escombro… coisa séria, pesada, irreversível e ainda assim chega até mim como um pacote de informação mastigado, pronto pra consumo. eu não estou lá, claro. eu estou aqui, confortável, deslizando o dedo, absorvendo aquilo na mesma velocidade com que esqueço. isso não é normal. e o mais perturbador é que já começou a parecer.

eu olho pros líderes e não consigo evitar um certo desprezo misturado com incredulidade. não é nem aquela raiva clássica, quase ideológica. é algo mais ácido. parece que deram as chaves de um carro em alta velocidade pra gente que claramente ainda acha que dirigir é sobre acelerar e impressionar os outros. não existe freio, não existe prudência… existe performance. sempre performance.

e o jogo é sujo de um jeito quase elegante. porque não se trata mais de governar bem ou mal. se trata de dominar atenção. quem grita mais, quem provoca mais, quem gera mais reação… leva. enquanto isso, decisões reais, aquelas que afetam gente de verdade, vão sendo tomadas no fundo do palco, longe do barulho, onde ninguém está olhando.

e eu e você estamos aqui, olhando pro barulho.

isso talvez seja o que mais me incomoda… saca, eu sei. eu percebo. não é falta de informação. é excesso. é saturação. chega um ponto em que tudo tem o mesmo peso… ou melhor, a mesma ausência de peso. uma crise gigantesca e uma polêmica ridícula passam pelo mesmo filtro, competem pelo mesmo espaço, recebem o mesmo tipo de reação superficial.

e eu sei lá sempre tenho aquela voz interna dizendo “é assim mesmo”. e eu odeio essa voz, porque ela resolve tudo sem resolver nada. ela permite continuar. permite assistir. permite comentar com uma ironia leve enquanto o cenário vai ficando progressivamente mais absurdo.

tem também essa infantilização geral que ninguém gosta de admitir. adultos agindo como crianças, mas crianças perigosas, porque agora têm alcance, têm poder, têm plateia. tudo vira disputa simples, narrativa fácil, vilão e herói mal definidos. complexidade virou inimiga porque não cabe no tempo de atenção que a gente mesmo destruiu.

sabe eu fico pensando se em algum momento isso foi diferente ou se a diferença é que agora está tudo exposto, sem edição, sem filtro histórico. talvez sempre tenha sido uma bagunça conduzida por gente improvisando. mas antes havia pelo menos a ilusão de controle. agora nem isso.

o que existe é esse fluxo constante de acontecimentos mal digeridos, decisões impulsivas e reações em cadeia. ninguém parece realmente no comando e, de forma quase absurda, isso não impede o sistema de continuar funcionando. ou pelo menos de parecer que funciona.

e meio que eu continuo aqui, acompanhando, reagindo, participando.

não porque acredito que isso vá melhorar. sérioooo… não mesmo!!!!!!

mas porque, de algum jeito estranho e meio desconfortável, já virou hábito.

e talvez não seja que o mundo esteja fora de controle.

é que a gente se acostumou com a ideia de que controle nunca foi realmente necessário.