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2025

mentor

existe uma cena que sempre volta à minha cabeça quando alguém fala sobre mentoria. pai mei. o velho mestre de kill bill. arrogante, impaciente, cruel, quase insuportável. hoje ele provavelmente seria cancelado na primeira semana, tomaria uma enxurrada de avaliações negativas e ouviria que seu método não era “humanizado”. curioso. porque ele nunca prometeu conforto. prometeu transformação.

talvez esse seja o problema da palavra “mentoria”. ela foi sequestrada pelo marketing. virou um produto elegante, cheio de encontros quinzenais, grupos exclusivos, networking, certificados e cafés virtuais. tudo muito agradável. tudo muito educado. e quase nada disso lembra uma mentoria de verdade. porque mentoria nunca foi um lugar para massagear o ego. sempre foi um lugar para desmontá-lo.

pai mei não ensinava golpes. ele destruía ilusões. antes de ensinar qualquer técnica, ele fazia a discípula perceber que o maior obstáculo não era o inimigo, nem a espada, nem o treinamento. era a forma como ela enxergava a si mesma. isso é mentoria. o resto costuma ser consultoria, aula ou entretenimento.

a internet conseguiu um feito curioso… transformou acesso em sinônimo de aprendizado. você paga para entrar em um grupo, acompanha alguém durante alguns meses, participa de chamadas ao vivo e acredita que, por estar perto daquela pessoa, alguma coisa vai mudar automaticamente. não vai. proximidade nunca foi transformação. você pode passar anos sentado ao lado de alguém brilhante e continuar exatamente igual. da mesma forma que pode ter uma única conversa de vinte minutos com a pessoa certa e nunca mais pensar do mesmo jeito.

o mercado prefere vender respostas. respostas escalam. perguntas não. respostas cabem em pdf, vídeo gravado e promessa de resultado. perguntas exigem silêncio. exigem tempo. exigem que alguém olhe para você e diga algo que ninguém teve coragem de dizer. um mentor de verdade não entrega um mapa. ele questiona por que você continua insistindo em seguir o mapa errado.

e talvez seja justamente por isso que quase toda grande mentoria pareça desconfortável. ninguém cresce sendo constantemente elogiado. cresce quando alguém aponta um ponto cego que você carregou durante anos sem perceber. isso dói. e justamente por doer, funciona.

o curioso é que pai mei jamais venderia uma mentoria. provavelmente expulsaria metade dos interessados antes do primeiro dia. não porque fosse arrogante. porque ele entendia uma coisa que o mercado moderno parece ter esquecido… nem todo mundo quer aprender. muita gente só quer ouvir que já está no caminho certo.

essa talvez seja a maior diferença entre um mentor e um vendedor de esperança.

o vendedor precisa que você volte.

o mentor torce para que um dia você não precise mais dele.

e isso é péssimo para a recorrência, mas excelente para quem realmente quer ensinar.

eu penso que a melhor mentoria nunca termina com você admirando o mentor. termina com você enxergando o mundo de um jeito que nunca mais consegue desaprender. pai mei nunca quis discípulos dependentes. queria pessoas capazes de atravessar uma parede sozinhas. talvez seja exatamente isso que esteja faltando hoje. menos gente ensinando técnicas. mais gente tendo coragem de destruir certezas.