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2024

conselhos…

conselhos para o eu mais jovem? tá brincando? acho que todo mundo, em algum momento, já pensou no que diria pro seu eu mais novo, como se pudéssemos voltar no tempo e dar aquele “toque de mestre”. mas aí, quando você pensa de verdade, percebe: qual é o sentido? o que eu falaria pro meu eu jovem? “não faça isso, faça aquilo”? vai mesmo me ouvir? duvido. e, se eu tivesse me escutado, quem eu seria hoje? provavelmente alguém bem menos interessante, alguém que jogou sempre no seguro e evitou tropeços.

então, ao invés de ficar aí pensando no que poderia ter sido, eu diria o seguinte: faz as cagadas que você tem que fazer. se joga. erra feio. porque, meu amigo, é assim que você vai aprender alguma coisa nessa vida. só não espere que vá ser fácil ou bonito. porque não vai.

e quanto ao meu filho, que ainda é pequeno? bom, não vou querer criar um robô programado para o sucesso. não quero que ele tenha uma lista de dicas prontas, porque ninguém ensina a vida lendo manual de instrução. o que eu diria a ele é pra ser curioso, pra questionar tudo, e pra não acreditar em qualquer baboseira que lhe vendem por aí. quero que ele entenda que a vida é feita de nuance, de contradições, de escolhas erradas e, muitas vezes, de um desconforto que ninguém te prepara pra enfrentar.

quero que ele saiba que ele vai fracassar. e não tem nada de errado nisso. fracassar é uma parte do processo. a parte mais real. o que importa é como ele vai reagir quando o fracasso vier bater na porta. porque vir, vai. quero que ele aprenda a levantar, sacudir a poeira e seguir em frente sem ficar remoendo o que deu errado.

e, acima de tudo, quero que ele tenha coragem de ser ele mesmo. porque, no final das contas, o maior erro que qualquer um de nós pode cometer é tentar ser o que os outros esperam.

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2024

correr

correr. olha, eu sei que muita gente ama pintar isso como a atividade gloriosa dos deuses da disciplina, como se cada passo fosse uma lição de vida sobre determinação, foco e força de vontade. mas, sejamos honestos, correr é doloroso. não tem glamour nisso. você tá ali, sozinho, com seu próprio corpo te traindo a cada segundo, o coração martelando no peito, os pulmões implorando por misericórdia, e as pernas? bom, as pernas tão gritando “pelo amor de deus, para!”… e o que você faz? continua. porque é isso que se faz. você continua.

e por quê? qual é a droga nesse sofrimento voluntário? é que, no fundo, correr é a coisa mais primitiva que a gente pode fazer. não tem aplicativo que vai te ajudar, não tem playlist que vai mascarar a dor. você está completamente vulnerável. cada passo é uma luta com você mesmo, e, ironicamente, é nesse embate que a gente se encontra. parece masoquismo? talvez seja. mas tem algo profundamente humano em colocar o corpo à prova, em desafiar os limites – mesmo que ninguém esteja olhando.

agora, não me venha com essa conversa de “runner’s high”. se alguém te disser que correr é libertador e que, depois de alguns quilômetros, você entra num estado de euforia, pode apostar que essa pessoa tá romantizando a coisa. o que realmente acontece é o contrário: depois de um tempo, você entra numa espécie de transe de sofrimento. a dor continua ali, constante, mas você aprende a conviver com ela. é uma guerra mental. você começa a negociar consigo mesmo. “só mais um quilômetro”, “só mais cinco minutos”. e quando você percebe, chegou. não porque foi fácil, mas porque a sua teimosia foi maior do que a sua dor.

e o mais irônico? a sociedade que a gente vive adora enaltecer a velocidade. todo mundo quer hackear o sucesso, encontrar o atalho, fazer tudo mais rápido. mas correr é justamente o oposto disso. é sobre aceitar o ritmo, abraçar a lentidão. você corre porque sabe que a única maneira de chegar é continuar, um passo de cada vez. não tem truque, não tem mágica. só tem persistência.

correr é a metáfora perfeita pra vida, mas não da maneira que te contam. não é sobre alcançar objetivos. é sobre lidar com a realidade de que o caminho é cheio de tropeços, de dor, de dias em que você não quer nem levantar da cama. é sobre aceitar que a única maneira de sobreviver a esse caos é seguir em frente, mesmo quando tudo dentro de você implora pra parar.

então, sim, correr é um ato de resistência. resistência ao conforto, à preguiça, ao cansaço. e é por isso que eu corro. não porque quero me sentir um super-humano ou porque acredito na baboseira do “runner’s high”, mas porque correr me lembra que eu sou forte o suficiente pra continuar, mesmo quando cada célula do meu corpo me diz que já deu.

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2024

rotinas

rotina, aquela coisa que todo mundo adora odiar. é engraçado, né? de um lado, você tem as pessoas que se orgulham de ser “livres”, que desprezam qualquer tipo de repetição, que vivem sob a ilusão de que estão fora desse ciclo porque “cada dia é uma aventura”. do outro, os que seguem cegamente qualquer guru que aparece, comprando a ideia de que, se você acordar às 5 da manhã, tomar um banho gelado, fazer yoga e jejum intermitente, vai finalmente alcançar o sucesso. como se existisse uma fórmula mágica que te protegesse da bagunça da vida.

mas a verdade é que a rotina – quando bem feita – é o que mantém a sanidade no meio desse caos que chamamos de vida moderna. o problema é que o conceito de rotina foi sequestrado por essa máquina de produtividade que quer transformar todo mundo em robô. “faça isso, faça aquilo, não saia da linha, siga o protocolo.” parece familiar? o que começou como uma maneira de organizar o dia se transformou numa obsessão com cronogramas, apps de produtividade e fórmulas prontas.

e aí você se pergunta: quem diabos disse que tomar banho gelado e acordar antes do nascer do sol é a solução pra todos os problemas? o problema é que vendem essa rotina como se fosse a única maneira de ter uma vida decente. mas, deixa eu te contar, rotina é pessoal. o que funciona pra um, pode ser um pesadelo pra outro. e você, enquanto tenta forçar essas fórmulas na sua vida, vai percebendo que, de algum jeito, está mais estressado, mais ansioso, mais preso.

rotina não deveria ser uma gaiola. deveria ser a fundação. algo que te ajuda a segurar o tranco, não algo que te sufoca. rotina boa é aquela que te faz respirar, que te deixa espaço pra improvisar, pra ser humano. mas ninguém quer falar disso, né? é mais fácil vender a ilusão de que, se você seguir a cartilha direitinho, vai dar tudo certo.

e aí está a ironia: as rotinas que realmente importam são as que você cria sozinho ou com quem você ama, sem seguir nenhuma moda. o banho gelado, a meditação forçada, o cronograma de produtividade… esquece isso. cria uma rotina que faça sentido pra você e quem está ao seu redor, que alimente a alma, que respeite seu ritmo. no final, o que realmente importa não é o que o guru do momento tá te dizendo pra fazer. é o que funciona pra você, e só você pode descobrir o que é.

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2024

posicionamento

se posicionar hoje é um ato quase suicida. vivemos uma era em que o meio termo se dissolveu como açúcar em um café amargo, e quem ousa tentar navegar entre os extremos, buscando nuances ou equilíbrio, é imediatamente esmagado pelas vozes mais altas, mais irritadas e, ironicamente, as menos reflexivas. tentar escutar as várias camadas de uma conversa? esqueça. a escuta ativa evaporou junto com o respeito pelo outro. o espaço para o diálogo honesto foi substituído por trincheiras de certezas absolutas, onde o único objetivo é vencer a qualquer custo – ainda que isso signifique perder o que mais importa: a humanidade.

só que, em tempos assim, posicionar-se não é só uma questão de coragem. é uma necessidade. porque o silêncio, nesses casos, não é neutralidade. o silêncio se transforma em uma conivência perigosa. e o mais absurdo é que, ao se posicionar, você não ganha nada além de novos inimigos. seja qual for o lado, alguém vai te odiar, te rotular, te cancelar. e por quê? porque o extremismo se tornou a voz da vez, enquanto a ponderação virou quase um palavrão. ou você está “com a gente”, ou é o inimigo. simples assim. zero espaço para debates reais, para explorar o cinza entre o preto e o branco.

a verdade é que estamos mais preocupados em ganhar discussões do que em entender a perspectiva do outro. é como se escutar alguém que pensa diferente fosse, de alguma forma, abrir mão de suas próprias convicções. não é. escutar não significa concordar; significa reconhecer que, para construir um mundo menos binário, precisamos, no mínimo, considerar que as pessoas têm experiências e percepções diferentes. mas isso não se vende bem. não rende likes, não viraliza. o extremismo, esse sim, gera audiência. o confronto vende.

e no meio disso tudo, fica a questão: como se posicionar sem ser engolido por essa máquina de extremismo? a resposta talvez seja mais simples do que parece: sendo teimosamente humano. insistindo em escutar. forçando a nuance. não se rendendo à facilidade do “nós contra eles”. não é fácil, e certamente não vai te trazer um exército de seguidores. mas, no final do dia, não é essa a questão. o objetivo não é ser amado por todos. é, no mínimo, poder se olhar no espelho e saber que você não se curvou à polarização barata que transforma pessoas em caricaturas de si mesmas.

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2024

não está tudo bem

ser sensível num mundo que te cobra ser imbatível é como viver no limite de um desfiladeiro, esperando o momento de despencar. a vida te exige estar “no seu melhor” o tempo todo, mas ninguém fala sobre o que acontece quando o seu melhor é só um rascunho amassado de você mesmo. tá todo mundo preso nessa narrativa de superação, como se todo dia fosse uma maratona. mas, às vezes, levantar da cama já é o equivalente a escalar o everest.

e sabe o que é pior? quando você finalmente admite que a cabeça não está no lugar, que a saúde mental está caindo aos pedaços, as pessoas olham de lado, como se isso fosse um capricho. ser vulnerável? é quase um palavrão. você deveria ser uma máquina de criação, sempre ligada, sempre brilhando. mas ninguém quer falar sobre o preço que isso cobra.

você já notou como o mundo do conteúdo, da criação, da arte, é uma máquina insaciável? tem que ser mais, tem que ser melhor, e tem que ser agora. como se a criatividade fosse um botão que você aperta e pronto: tudo flui. o que ninguém te diz é que essa cobrança constante destrói. porque a vida real não tem nada a ver com o que você vê nas redes. e a verdade é essa: às vezes, você não está bem, e isso precisa ser dito. não pra causar choque, mas pra lembrar todo mundo que você é humano. e, sim, é um alívio perceber que você não é o único.

admitir que não está tudo bem não é fraqueza. é uma maneira de puxar o freio de mão antes que você queime o motor. é colocar as cartas na mesa e dizer: “ei, eu sou mais do que aquilo que vocês veem”. e acredite, isso é necessário. porque, enquanto você finge estar sempre em alta performance, sua mente vai desmoronando aos poucos, e ninguém vê. ou pior, ninguém se importa.

é por isso que, se você está passando por essa, fale. as pessoas precisam saber que, por trás de cada post, cada vídeo, cada ideia, tem alguém que também quebra, que também se cansa. e pra quem consome essa arte, um lembrete: criadores não são máquinas. eles merecem ser respeitados pelo que são, não só pelo que produzem.

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2024

babaca

não seja um babaca. parece óbvio, mas, ironicamente, ser uma pessoa decente se tornou quase um ato de resistência. vivemos em uma época onde a arrogância foi promovida a “autenticidade” e onde ser grosseiro virou sinônimo de “falar verdades”. o problema é que esse tipo de atitude não é novidade. na verdade, é a coisa mais fácil que você pode fazer. ser um babaca é a maneira preguiçosa de navegar pelo mundo. você não precisa pensar, não precisa se importar, só precisa garantir que o ego está alimentado o suficiente para ignorar o fato de que, no fundo, você está sendo um completo idiota.

sabe o que é realmente ousado? ser gentil. não a gentileza superficial, dessas que aparecem em discursos de liderança ou campanhas publicitárias piegas. estou falando de ser genuinamente bom, mesmo quando ninguém está olhando, mesmo quando você não tem absolutamente nada a ganhar com isso. porque, no fim das contas, ser bom é a única coisa que importa. sua carreira brilhante, seus seguidores nas redes sociais, seu feed cuidadosamente curado – nada disso vale nada se você é uma pessoa que trata os outros como lixo. mas claro, isso não é o que as pessoas querem ouvir. elas querem o caminho fácil, o atalho da arrogância, onde você faz piadinhas às custas dos outros e, de alguma forma, se convence de que isso é “ser sincero”.

ser bom não é ser trouxa. ser bom é ser inteligente o suficiente para entender que não precisamos tornar a vida mais difícil do que ela já é. a gentileza exige esforço, exige paciência, exige caráter. e adivinha só? caráter não pode ser ensinado, comprado ou conquistado com diplomas. caráter é o que separa os adultos dos moleques mimados que acham que o mundo gira em torno do próprio umbigo.

e se você acha que ser um babaca é sinônimo de poder ou controle, sinto muito. ser um babaca só revela uma coisa: que você é fraco. é isso mesmo. porque é preciso muito mais força para ser compassivo em um mundo que nos empurra constantemente para o cinismo, para o individualismo e para o egoísmo disfarçado de assertividade. ser babaca é fácil, é preguiçoso. é o caminho de quem não tem coragem de se vulnerabilizar, de quem não tem coragem de se importar. no final do dia, o verdadeiro poder está em quem sabe a hora de calar a boca, escutar e ser uma boa pessoa – não porque espera algo em troca, mas porque entende que é assim que o mundo deveria funcionar.

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2024

escreva

escrever é um exercício brutal. não é só sobre o ato de colocar palavras no papel, é sobre organizar o caos que vive na sua cabeça. e, acredite, esse caos não é só coisa de escritor. se você é designer, artista, ou qualquer pessoa criativa, escrever pode ser o que separa seu trabalho de um amontoado de boas ideias que nunca viraram nada.

mas o engraçado é que ninguém fala disso. ninguém te diz que colocar as ideias em palavras, de forma clara, é o maior teste de coerência que você pode fazer. quando você escreve, você expõe todas as falhas do seu pensamento. cada ideia mal conectada, cada detalhe que você esqueceu de pensar. e sabe por quê? porque na sua cabeça tudo faz sentido. no papel, nem tanto.

o problema é que a maioria das pessoas tem medo de expor esse pensamento cru. preferem ficar no “eu sou visual”, como se isso fosse uma desculpa para não pensar a fundo. só que o ato de escrever te obriga a ser mais profundo. é um processo de refinamento, de esculpir a pedra bruta até chegar ao essencial.

então, se você quer ser um designer melhor, pare de só acumular referências visuais. escreva. escreva sobre o que te move, sobre o que te inspira, sobre o porquê de fazer o que você faz. e, principalmente, escreva sobre o que você quer dizer com o que cria. porque a arte sem significado é só estética vazia.

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2024

manifesto aos meus amigos criadores

aos meus amigos criadores: esse manifesto é para vocês, que vivem no fio da navalha, sempre sendo cobrados para criar algo novo, algo fresco, algo que faça as pessoas pararem e prestarem atenção por mais de cinco segundos. vocês que são obrigados a se reinventar constantemente, mesmo quando estão exaustos, quando a criatividade parece ter se esgotado, mas ainda assim, o mundo exige mais. mais ideias, mais conteúdo, mais inovação. como se vocês fossem máquinas, não seres humanos.

vamos encarar: ser criador hoje em dia é como estar preso em uma roda de hamster, onde os números ditam o ritmo, e as plataformas controlam o jogo. você não é mais medido pelo valor do que cria, mas pela quantidade de curtidas, compartilhamentos, e engajamento. e se você não entregar, se não bater as metas invisíveis, é como se estivesse falhando, mesmo quando o que você está fazendo é pura arte, algo que veio do seu coração e não de uma planilha de excel.

e as marcas? ah, as marcas… muitas ainda não entenderam que vocês não são produtos para serem vendidos, embalados, e entregues ao consumidor final. vocês são artistas, e a arte não pode ser comprada com descontos ou barganhas baratas. arte tem valor, e é um valor que precisa ser respeitado, não diluído por estratégias de marketing que ignoram a alma do que vocês criam. é fácil querer mexer na obra alheia, querer que ela se adapte às “necessidades do mercado”, mas a verdadeira criação não é sobre se ajustar, é sobre desafiar, provocar, fazer pensar.

a verdade é que ser criador hoje em dia é viver sob uma pressão constante, e muitas vezes invisível. a pressão de sempre estar bem, de estar no topo do jogo, mesmo quando você está se sentindo uma fraude, mesmo quando o peso de tudo parece insuportável. a pressão de ser relevante em um mundo onde relevância é uma moeda volátil, controlada por algoritmos que nem sempre jogam a seu favor.

então, aqui vai o recado para as marcas: se querem trabalhar com verdadeiros criadores, com artistas que têm algo a dizer, algo que vale a pena ser ouvido, paguem o preço justo. não tentem transformar esses criadores em vendedores baratos, porque o que eles têm a oferecer é muito mais valioso do que qualquer campanha publicitária. respeitem a arte deles, porque sem ela, vocês não teriam nada além de mais do mesmo.

e para vocês, meus amigos criadores, continuem fazendo o que fazem de melhor: criando. mesmo quando é difícil, mesmo quando parece que ninguém está vendo, porque no fim do dia, o mundo precisa de mais de vocês. precisa de mais pessoas que desafiam as regras, que quebram moldes e que, acima de tudo, se recusam a ser definidas por números ou expectativas alheias. façam sua arte, mantenham sua integridade, e lembrem-se: vocês não são produtos, vocês são a força criativa que mantém esse mundo interessante. e isso, ninguém pode tirar de vocês.

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2024

meu papel como pai

o mundo hoje tem essa obsessão por preparar as crianças para serem vencedores, máquinas de alta performance programadas para competir, alcançar metas e, claro, garantir aquela carreira de sucesso que todo mundo sonha. é como se, desde o berço, estivéssemos criando pequenos gladiadores prontos para entrar na arena corporativa, armados até os dentes com planilhas de excel e técnicas de liderança. o mantra é claro: “seja o melhor, seja o mais rápido, conquiste o mundo antes dos 30 ou você é um fracasso”.

mas, como pai, me sinto na obrigação de ir na contramão dessa loucura toda. meu papel não é criar o próximo CEO bilionário ou o gênio da tecnologia. meu papel é muito mais simples — e ao mesmo tempo, infinitamente mais desafiador: criar um ser humano que saiba olhar nos olhos dos outros com empatia, que tenha a capacidade de escutar, realmente escutar, as opiniões alheias sem cair na tentação de julgar ou rotular. porque, no fim das contas, o que o mundo realmente precisa é de mais humanidade, não de mais robôs corporativos.

eu quero que meu filho saiba que existe um valor imenso em simplesmente ser uma boa pessoa, em entender que nem sempre é sobre ganhar ou perder, mas sobre como você joga o jogo. eu quero que ele seja capaz de sentar com alguém que pensa de maneira completamente diferente e, ao invés de tentar impor suas ideias, realmente escute, aprenda e, quem sabe, até mude de opinião.

o mundo já tem idiotas suficientes gritando suas certezas absolutas para quem quiser (ou não) ouvir. o que ele precisa é de mais gente que sabe que a verdadeira força está em admitir que não sabe tudo, que está disposto a aprender, a entender, a crescer.

então, enquanto outros pais estão ocupados criando os futuros vencedores do mercado, eu estou mais interessado em criar um filho que vai ser, antes de tudo, uma boa pessoa. alguém que entende que empatia não é fraqueza, que ouvir é uma habilidade subestimada, e que julgar menos e compreender mais é o caminho para uma vida mais rica e significativa.

é claro que isso não vai aparecer em nenhum currículo brilhante, nem vai ser aplaudido em uma sala de reuniões, mas, sinceramente, foda-se. no final do dia, é isso que faz de alguém um ser humano de verdade, e não só mais uma peça na engrenagem de um mundo que perdeu a noção do que realmente importa.

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2024

simples assim

a simplicidade é uma dessas coisas que todo mundo adora pregar, mas poucos têm a coragem de realmente praticar. é o tipo de coisa que soa bonito em teoria, mas na prática? ah, na prática, as pessoas preferem o excesso, o desnecessário, a cacofonia de coisas que só servem para preencher o vazio que elas se recusam a encarar.

vamos ser sinceros: a simplicidade assusta. porque ela expõe. quando você tira os adornos, os enfeites, as distrações, sobra o que? a realidade nua e crua, o essencial. e isso, meu amigo, é o que a maioria não quer ver. preferem se esconder atrás de mil bugigangas, como se entulhar a vida de coisas fosse a solução para qualquer tipo de insatisfação interna. mas a verdade é outra — quanto mais você acumula, mais perdido você fica.

e não me venha com essa conversa de que simplicidade é para os fracos, para os que têm medo de “viver a vida ao máximo”. a verdadeira ousadia, a verdadeira rebeldia, está em cortar tudo o que é ruído e focar no que realmente importa. isso não é para qualquer um. é para quem tem coragem de encarar o vazio sem surtar, para quem tem a clareza de ver que a vida não precisa de enfeites para ter significado.

o engraçado é que, num mundo que valoriza tanto a complexidade, a simplicidade é praticamente um ato subversivo. escolher o simples é dizer “não” a essa loucura de excessos que só serve para nos deixar mais ansiosos, mais perdidos, mais desconectados. é um ato de rebeldia contra a tirania do “mais é mais”, uma declaração de que a vida pode, sim, ser mais leve, mais clara, mais verdadeira.

então, da próxima vez que alguém te vier com essa ideia de que simplicidade é sinônimo de falta de ambição, dê risada. porque no fundo, quem realmente entende a simplicidade sabe que ela é tudo, menos fácil. ela é afiada como uma lâmina, corta fora o desnecessário e deixa apenas o que é essencial. e se isso não é o verdadeiro luxo, então não sei o que é.