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2024

queria ter aprendido

queria ter aprendido logo que a vida fica muito mais divertida quando você decide parar de seguir o manual e começa a escrever as suas próprias regras. aquele jovem eu que se preocupava com a opinião dos outros? aquele que tentava ser o “cara certo”, que fazia tudo conforme o script? hoje eu olho pra ele e dou risada. a real é que não existe uma maneira certa de viver – existe a maneira que te faz levantar da cama com um sorriso meio debochado e uma vontade de ver até onde dá pra ir.

eu queria ter entendido logo que você não precisa saber onde vai dar cada passo que toma. a vida é um improviso, um palco onde ninguém ensaiou as falas e, quer saber? é justamente aí que mora a graça. a gente é treinado pra pensar que precisa de um plano pra tudo, mas a verdade é que quanto menos planos, melhor. porque quando você solta as rédeas e deixa a vida te levar, você descobre que as melhores surpresas aparecem quando você tá distraído, sem a menor expectativa. os dias ficam mais leves, os problemas menos urgentes, e as risadas mais frequentes.

queria ter aprendido logo que ousadia é a chave. essa história de “vá com calma” é coisa de quem tem medo de viver. o mundo pertence a quem não tem medo de pisar onde ninguém mais pisou, de dizer aquilo que ninguém tem coragem de dizer. e o mais importante? saber rir. rir de tudo, rir de si mesmo, rir até das coisas que dão errado – especialmente das coisas que dão errado. porque é nessas horas que você percebe o quanto tem sorte de estar vivendo uma vida que, por mais caótica e cheia de reviravoltas, ainda é tua, com tuas próprias marcas e tuas próprias escolhas.

no final, o que faz tudo valer a pena são as histórias que você acumula. não as histórias de grandes feitos, mas aquelas situações cotidianas que, aos olhos dos outros, parecem banais, mas pra você têm um sabor especial. é isso que você vai levar consigo: os momentos que te arrancaram sorrisos inesperados, as vezes que você se permitiu ser um pouco ridículo, um pouco ousado, um pouco mais você mesmo. porque, quando você vive assim, de peito aberto, sem medo do que os outros pensam, você percebe que o grande truque é levar a vida como quem dança sem se preocupar com o ritmo – só porque é bom demais sentir o chão sob os pés.

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2024

você já ouviu o meu áudio?

sabe o que realmente me faz perder a fé na humanidade? essa maldita ideia de que tudo precisa ser respondido na hora. o whatsapp apita, você vê o tique azul e pronto: agora é uma corrida contra o tempo. porque, aparentemente, não é o suficiente estar conectado, você tem que estar disponível o tempo todo, pronto pra largar o que quer que esteja fazendo e digitar uma resposta cheia de entusiasmo e profundidade. e se você não responde? é quase uma ofensa, um crime social. como ousa ignorar a mensagem por mais de cinco minutos?


é como se a gente tivesse entrado nessa espiral bizarra onde a urgência tomou conta de tudo. ler uma mensagem virou o equivalente moderno de uma convocação militar: você viu, agora tem que responder. na hora. quem diabos inventou essa regra? por que não podemos simplesmente… deixar a mensagem ali, esperando? como um bom vinho, amadurecendo. até que você tenha tempo, paciência ou, deus me livre, algo realmente interessante pra dizer.

e aí, quando você acha que já está atolado nesse inferno do imediatismo, surge a cereja do bolo: os áudios. porque, claro, digitar é muito mainstream, muito esforço. por que gastar 30 segundos organizando um pensamento, quando você pode despejar cinco minutos de monólogo sobre o trânsito, a sua insônia, ou o que você comeu no café da manhã – e esperar que a outra pessoa ouça com a mesma atenção que daria a um discurso do dalai lama? e não é só um áudio, não. é uma saga. um épico. vinte áudios seguidos. como se cada segundo fosse vital para a sobrevivência da espécie.

e você, é claro, tem que parar tudo. esquecer suas obrigações, sua vida, o mundo real. porque, aparentemente, agora estamos todos vivendo pra ouvir áudios de whatsapp. como se a pessoa que mandou não pudesse simplesmente… sei lá… escrever. não, não. isso seria pedir demais. é muito mais fácil largar o dedo no botão de gravação e deixar o resto do mundo lidar com as consequências.

e o auge da comédia é que eles esperam que você ouça tudo. na hora. “já ouviu meus áudios?” – a pergunta fatídica, carregada de toda a pressão social de um interrogatório de guerra. como se a sua resposta fosse o que mantém o planeta girando.

mas aqui vai a verdadeira sacada: você não precisa ouvir os áudios. você pode, tranquilamente, deixar aquela coleção interminável mofar na caixa de entrada. e quando perguntarem, com aquela expectativa de quem aguarda a resposta, você só precisa dizer: “ah, estava ocupado.” porque, sejamos sinceros, se o assunto fosse realmente importante, teriam feito o mínimo esforço de escrever. e escrever, meu amigo, é uma arte em extinção na era do whatsapp – mas ainda tem seu valor.

o que nos traz à única coisa que ainda faz algum sentido nesse caos digital: os e-mails. sim, eles. as últimas cartas do mundo moderno. porque o e-mail, veja só, não carrega essa urgência psicótica. ele não grita, não vibra, não te persegue com notificações compulsivas. ele simplesmente espera. é quase poético. você lê, deixa quieto, pensa. pode responder quando tiver tempo, quando realmente tiver algo a dizer. ele é o oposto dessa cultura da resposta instantânea. o e-mail, meu amigo, te devolve a paz. ele te lembra que, sim, você pode refletir antes de digitar qualquer besteira. dá pra acreditar?

ao contrário dos aplicativos de mensagem, que transformam cada interação numa obrigação imediata, os e-mails te dão espaço. eles esperam. pacientemente. ainda preservam a noção de que tempo importa. você responde quando estiver pronto, e isso faz toda a diferença. é quase romântico, se você pensar bem. um diálogo de verdade, sem a maldita pressão do “lido e não respondido”. é quase uma resistência silenciosa nessa era de caos e pressa. um oásis de sanidade no deserto do imediatismo.

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2024

brincar

a verdade que ninguém te conta: brincar não tem absolutamente nada a ver com brinquedos caros, coloridos, com luzes piscantes e sons irritantes. se você acha que vai comprar a infância perfeita na seção de brinquedos do shopping, tenho uma notícia pra você: está jogando dinheiro fora. brinquedos são, no fundo, os restos de uma sociedade que adora empacotar a criatividade e vender em prestações suaves no cartão.

o que as crianças realmente precisam? não é daquele robô que se transforma em dinossauro ou da boneca que fala cinco idiomas (e que, vamos ser sinceros, vai acabar no fundo do baú em menos de uma semana). o que elas precisam é de espaço – espaço na mente e no ambiente. espaço para errar, para experimentar, para destruir as coisas e depois descobrir como consertá-las. isso, meu amigo, não vem com um manual de instruções.

é por isso que quando você se joga no chão, deixa o celular de lado (sim, eu sei que é difícil) e começa a improvisar uma brincadeira qualquer com o que tem ao redor – uma caixa de papelão, uma colher de pau, o sapato esquecido no canto – está fazendo muito mais pelo desenvolvimento do seu filho do que qualquer brinquedo ultratecnológico. você tá ali, no front, ensinando o que realmente importa: criatividade, resolução de problemas, a arte de inventar universos inteiros a partir de nada.

meu filho e eu? a gente transforma tudo em aventura. uma simples caminhada vira uma missão de espionagem, a sala vira o campo de batalha de uma guerra intergaláctica, e a panela no fogão? claro, uma nave espacial. todo dia. todo santo dia. porque brincar é isso: estar presente, usar o que está disponível, e mostrar que a imaginação é a ferramenta mais poderosa que existe. e, olha, sem baterias inclusas.

brinquedos? são coadjuvantes, peças descartáveis. a verdadeira mágica tá na criatividade crua, solta, sem limites. e isso? isso nenhum brinquedo vai te vender. então, da próxima vez que alguém te sugerir mais um daqueles brinquedinhos barulhentos, lembra: tudo o que seu filho realmente precisa já tá bem na sua frente.

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2024

minhas sócias

as mulheres com quem trabalho hoje, minhas sócias, não estão apenas ao meu lado – elas estão liderando a frente, mudando o rumo das coisas com uma habilidade e uma visão que me impressionam diariamente. o que estamos construindo juntos não seria nada sem a liderança delas, sem essa força que vai muito além de competência técnica. é uma verdadeira parceria de mentes brilhantes que transformam ideias em ação, que fazem as coisas acontecer de verdade.

não é sobre carregar peso ou resolver problemas. é sobre liderar com uma clareza que corta o caos, enxergar oportunidades onde outros veem barreiras, e, principalmente, criar um ambiente onde as coisas não só funcionam, mas prosperam. cada uma delas tem um impacto que vai além do trabalho; elas mudam a dinâmica, redefinem o que significa sucesso e mostram, todos os dias, que liderança verdadeira é algo natural pra elas.

minhas sócias são mais que parceiras. são líderes, são visionárias, e são, sem sombra de dúvida, as principais responsáveis por transformar cada plano em realidade. não é uma questão de delegar ou de “deixar nas mãos delas” – é sobre estar ao lado de pessoas que têm uma capacidade quase sobrenatural de resolver, criar e liderar. não só são mais incríveis do que qualquer homem com quem já trabalhei, mas são a prova viva de que, quando mulheres tomam a frente, o mundo ao redor delas muda para melhor.

trabalhar com essas mulheres me fez entender que o verdadeiro poder está na colaboração, no respeito mútuo e, acima de tudo, em reconhecer quando alguém tem o que é preciso pra transformar um sonho em algo concreto. não é sobre controle ou hierarquia. é sobre liderança compartilhada, onde todos sabem o seu valor, mas, honestamente? o valor delas brilha mais. são elas que transformam o impossível no cotidiano. e isso, meu amigo, é algo que não dá pra ignorar.

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2024

política

ah, a política. aquele esporte de combate onde todos entram na arena já com sangue nos olhos, prontos para jogar lama em qualquer um que respire. é curioso como todo mundo odeia política, despreza os políticos, mas, ao mesmo tempo, se apegam a essas figuras, como se fossem heróis de quadrinhos, para salvar a pele deles mesmos. o pessoal adora dizer “não ligo pra política”, como se isso fosse algum tipo de distintivo de honra ou um sinal de pureza moral. parabéns, você não liga para o que realmente controla cada aspecto da sua vida, desde o preço da sua cerveja até se você vai ter um hospital decente quando estiver cuspindo os pulmões. genial.

mas a realidade é que política é o único jeito de evitar que o mundo vá direto para o lixo. você pode se iludir achando que vai escapar da merda ficando no seu canto, longe das discussões sobre orçamento, leis e políticas públicas, mas adivinha só? a política vai vir te pegar de qualquer jeito. vai estar lá, esperando por você na fila do posto de saúde, ou quando sua rua alagar porque algum vereador achou que construir um shopping novo era mais importante do que melhorar a drenagem.

claro, não estou dizendo que os políticos são santos. na verdade, a maioria é composta de babacas interesseiros, prontos para vender a alma por um jantar caro e uma garrafa de vinho ridiculamente superfaturada. são mestres na arte de prometer tudo e entregar absolutamente nada, enquanto fazem caretas para a câmera e tentam não suar durante as campanhas. mas é aí que a coisa fica interessante: você não pode simplesmente ignorar esses canalhas. você tem que se enfiar na lama, entender o jogo e começar a escolher quem vai te ferrar menos. porque alguém vai, sempre.

então, qual a solução? você tem que votar, tem que se engajar, tem que discutir. você tem que se jogar no meio do circo e fazer escolhas conscientes. não é bonito, não é divertido e, honestamente, muitas vezes vai fazer você se sentir um idiota. mas é a única maneira de garantir que o mundo não se transforme em um playground de bilionários e populistas narcisistas que adoram ditar as regras enquanto fingem ser a solução de todos os problemas.

não, você não vai encontrar o messias político que vai consertar tudo com uma canetada. isso é fantasia de quem ainda acredita em contos de fada. o mundo real exige suor, escolhas difíceis e, acima de tudo, compromisso com a responsabilidade que é viver numa sociedade. se a gente deixar só os idiotas decidirem, o que você acha que vai acontecer?

e é aí que está a verdadeira ironia: odiar política é um luxo. um privilégio. porque, no fim do dia, são as decisões políticas que definem quem vai se ferrar mais. então, talvez seja hora de parar de reclamar dos políticos e começar a reclamar da sua própria indiferença. essa sim, vai te custar caro.

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2024

o que realmente importa?

ok, vamos então esticar as pernas e dar a essa ideia o espaço que merece. pega um café, ou melhor, pega dois, porque agora a conversa vai ser séria.

olha pra sua vida. de verdade. aquele panorama que você evita encarar de frente. cheia de compromissos, de reuniões, de mensagens acumuladas no celular, de metas que não são suas, de prazos absurdos e expectativas ainda piores. você acorda com a cabeça pesada, já pensando nas mil coisas que precisa resolver antes de botar a cabeça no travesseiro de novo. sempre correndo, sempre se atropelando, tentando cumprir com tudo, achando que quanto mais você fizer, mais perto vai chegar de algum tipo de redenção. e aí eu te pergunto: quando foi a última vez que você realmente sentiu que fez algo de valor? não falo de marcar itens na sua agenda, não falo de dar check na lista de tarefas. tô falando de algo que te deu uma sensação genuína de realização, de propósito. que fez você parar e pensar: “isso aqui valeu a pena.” difícil lembrar, né?

porque a verdade, e aí vai doer, é que a gente vive num ciclo de fazer por fazer. a vida virou uma fábrica de produção em série, e você tá lá, na linha de montagem, empurrando coisas pra fora o mais rápido possível, sem parar pra pensar se alguma delas realmente importa. é como se estivéssemos programados pra acreditar que ser ocupado é ser importante. mas aí vem o grande plot twist: não é. fazer muito não significa nada se o que você faz não tem valor real. e é aqui que entra a tal ideia de fazer menos, mas melhor. não é um truque de mágica. é simplesmente parar de tentar abraçar o mundo com as pernas e focar no que realmente importa.

escolher. essa é a palavra-chave. escolher o que vai ficar no seu prato e o que você vai jogar fora sem nem pensar duas vezes. porque, sério, você não precisa carregar o mundo nas costas. tem coisa que simplesmente não vale o esforço. e o segredo é esse: fazer menos, mas com intenção. com qualidade. colocar energia no que traz resultado de verdade, em vez de gastar suas horas com tarefas vazias, só pra fingir que tá sendo produtivo. a vida não é uma competição de quem faz mais, é de quem faz melhor. e é aí que muita gente se perde: na ânsia de fazer tudo, acabam não fazendo nada que realmente deixe uma marca.

vamos combinar uma coisa? ninguém vai lembrar de quantos e-mails você respondeu antes das 18h. ninguém vai te aplaudir porque você conseguiu participar de dez reuniões no mesmo dia. o que vai contar, o que sempre vai contar, é o impacto que você deixou. e esse impacto não vem de encher sua agenda com coisas sem importância. vem de focar no que vale a pena. em vez de tentar correr essa maratona insana onde todo mundo quer fazer tudo ao mesmo tempo, escolha fazer menos. mas faça direito. menos barulho, mais resultado. é aí que tá o verdadeiro jogo. você não precisa de mais horas num escritório iluminado por luz de néon, não precisa de mais gente te chamando pra discutir o próximo projeto que nunca vai sair do papel. precisa de foco. precisa aprender a cortar o que é desnecessário e colocar sua energia no que realmente importa.

e aí vem a parte mais bonita disso tudo: quando você se livra dessa montanha de sobrecarga inútil, sobra espaço. espaço pra respirar. espaço pra viver. pra lembrar do que realmente significa sentir alegria. lembra disso? alegria. aquele negócio que não vem de riscar tarefas da sua lista, mas de saber que você tá vivendo com mais leveza, mais propósito. menos sobrecarga, mais alegria. parece uma ideia tão simples, mas, cara, é transformadora. porque viver não deveria ser só sobreviver. viver não é bater metas, cumprir prazos ou se afogar numa maré de compromissos vazios. viver é sentir. é se conectar. é ter momentos que realmente contam.

e é isso que você ganha quando começa a fazer menos. não é sobre desistir, não é sobre “relaxar demais”. é sobre ser mais inteligente com o seu tempo, mais preciso com sua energia. é sobre fazer escolhas que deixam sua vida mais leve, mais focada, e, acima de tudo, mais alegre. você vai perceber que, no final das contas, fazer menos não é um fracasso. é o caminho pra encontrar aquilo que você realmente quer da vida.

então, faça menos. mas faça com tudo o que tem. coloque sua alma, seu tempo e sua dedicação no que realmente importa. o resto? deixa ir. o resto é só ruído.

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2024

autenticidade

ok, vamos lá, direto ao ponto: viver como todo mundo, seguindo o fluxo, é a forma mais segura de garantir uma vida absolutamente entediante. a verdadeira tragédia não é falhar, se dar mal ou cair de cara no chão. a verdadeira tragédia é passar pela vida sem nunca tentar algo que realmente mexa com você, sem nunca fazer algo que te faça sentir vivo de verdade. porque, acredite, a maioria das pessoas está ocupada demais tentando se encaixar em algum molde, seguir as regras que foram estabelecidas antes mesmo de elas nascerem.

a grande verdade é que as pessoas estão apavoradas com a ideia de não serem aceitas. medo de serem vistas como diferentes, como erradas, como aquelas que não “se encaixam”. então, o que elas fazem? pegam o manual da vida e seguem à risca. estudam, trabalham, comem no restaurante da moda, tiram selfies nas férias, fazem tudo direitinho, tudo nos conformes. e, no final das contas, acabam todas iguais, intercambiáveis, como peças de uma máquina que gira sem parar, mas não sai do lugar.

mas, e se… e se você simplesmente jogasse esse manual fora? e se parasse de fazer o que é esperado de você e começasse a fazer o que realmente te interessa, o que te excita, o que te dá um sentido de aventura? não estou falando de ir contra tudo só por rebeldia vazia. estou falando de viver de forma intencional. de buscar experiências que te desafiem, que te tirem do piloto automático. de não aceitar o caminho mais fácil, só porque ele é o mais conhecido.

as pessoas que realmente mudaram algo, que deixaram uma marca, são as que não estavam nem aí para o que a maioria fazia. elas estavam focadas em encontrar algo maior, em ver o mundo com outros olhos. enquanto todo mundo estava ocupado vivendo uma versão diluída da vida, elas estavam lá fora, provando o amargo, o doce, o estranho, o desconhecido. é preciso estar disposto a se perder, a se sujar, a errar feio, para poder descobrir algo de valor.

você pode seguir o fluxo, fazer o que todos fazem, e terá uma vida confortável, previsível, sem grandes ondas. ou você pode arriscar, explorar caminhos que ninguém teve coragem de percorrer, e talvez – só talvez – descobrir o que significa realmente viver. viver de verdade, com tudo o que isso implica: caos, confusão, beleza e uma dose saudável de loucura. quem escolhe a segunda opção, talvez não tenha todas as respostas, mas vai ter uma vida que vale a pena contar.

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2024

estilo

então, você quer um estilo, hein? claro, todo mundo quer um estilo. porque deus nos livre de ser só mais um ser humano normal, respirando e ocupando espaço no mundo. não, a gente precisa ter estilo. aquele toque especial que te faz diferente de todo mundo. afinal, quem vai te notar se você não tiver o seu estilo? não basta só existir, fazer o básico, viver a sua vidinha sem atrair um raio de holofote direto na sua testa. você precisa ser uma obra de arte ambulante, não é?

vamos lá, porque eu sei como é. a jornada épica de autodescoberta, passando tardes inteiras escolhendo entre o corte de cabelo “bagunçado, mas chique” ou “minimalista, mas ousado”. se perde horas numa loja vintage catando um casaco que tenha aquele ar de “eu nem me importo com moda, mas de um jeito super calculado”. e claro, tudo tem que parecer absolutamente acidental, como se você tivesse tropeçado e caído de cara num mar de bom gosto e referências de filmes europeus obscuros.

o grande segredo que ninguém te conta? todo mundo está fazendo a mesma coisa. as mesmas roupas, os mesmos lugares, os mesmos drinks insuportáveis com nomes pretensiosos. e aqui estamos nós, num mundo cheio de clones, cada um tentando se sobressair com sua versão “única” de ser mais do mesmo. estilo? tá mais pra um uniforme mal disfarçado.

e aí, o que resta? a eterna busca pelo próximo acessório mágico que vai finalmente te dar aquele toque de originalidade. talvez um chapéu esquisito? uma tatuagem num idioma que você não fala? vai fundo, porque nada grita mais autenticidade do que tentar desesperadamente parecer autêntico.

mas no fundo, eu te entendo. a ideia de andar por aí sem chamar a atenção, sem que ninguém olhe duas vezes, deve ser absolutamente terrível. talvez o medo de ser só… comum? normal? ordinário? ai, que tragédia.

mas quer saber o que tem realmente estilo? fazer o que quiser, sem dar a mínima. mas, claro, isso é demais pra maioria. a gente quer mesmo é o pacote pronto: o look, a atitude, o filtro perfeito no instagram. então, segue aí na tua busca pelo estilo. boa sorte. vai que um dia você encontra esse santo graal da irrelevância.

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2024

microgerenciar

aprendi há muito tempo que tentar microgerenciar é um desastre, mas não aprendi da forma mais suave, não. não foi uma daquelas epifanias elegantes que você tem enquanto contempla o horizonte numa sacada italiana, tomando um chianti e refletindo sobre a vida. foi mais como levar uma surra numa viela suja, em algum canto insalubre do mundo corporativo, enquanto você se pergunta: “como diabos cheguei aqui?”.

microgerenciar é essa obsessão patética de querer estar em cada maldito detalhe. é como insistir em ficar ao lado do chef, cutucando cada prato que sai da cozinha, como se o molho de tomate só ficasse certo com o seu toque divino. e aí o que acontece? você acaba transformando o lugar num circo de desespero, onde cada membro da equipe – que você mesmo escolheu porque, teoricamente, eram bons no que fazem – começa a questionar cada passo, com medo de que o “grande chefe” surja das sombras para corrigir até a forma como respiram. é a receita perfeita para destruir qualquer chance de inovação, autonomia ou prazer de fazer um trabalho decente.

o resultado? tempos terríveis. prazos não cumpridos, decisões equivocadas, uma equipe desmotivada que se move como zumbis, e você, preso numa roda de estresse sem fim, achando que a solução para tudo é controlar ainda mais. porque, claro, quando tudo dá errado, o instinto natural do microgerente é dobrar a aposta. se já está no fundo do poço, por que não cavar mais?

e olha, não se trata apenas de sufocar a criatividade alheia, embora isso já seja ruim o suficiente. microgerenciar é, na verdade, um sintoma de algo muito mais triste: a total falta de confiança em si mesmo. é uma forma de mascarar sua insegurança, de fingir que tem controle de algo quando, na realidade, você está é morrendo de medo que tudo desmorone. e adivinha? tudo vai desmoronar mesmo, mas não porque sua equipe é incompetente – é porque você, meu amigo, é o arquiteto do desastre.

aprendi isso da maneira mais difícil. tive que ver o brilho no olho das pessoas ao meu redor se apagar. tive que lidar com erros que eu mesmo criei, porque estava tão obcecado em não deixar nada escapar do meu radar que não percebi o óbvio: se você contrata gente boa, você tem que deixá-los fazer o que sabem. confie no processo ou então vá pra casa e faça tudo sozinho, já que acha que ninguém é bom o suficiente. mas se escolher a primeira opção, engole seu ego, respira fundo e deixa a mágica acontecer sem sua mão pesada em cima de cada detalhe.

então, sim, aprendi há muito tempo que microgerenciar é um desastre. e quanto mais cedo você aprender isso, mais cedo vai parar de transformar seu ambiente de trabalho em um inferno pessoal.

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2024

odeio termos corporativos

ah, os novos queridinhos do mundo corporativo. se os termos antigos já eram ruins, os modernos são um atentado à inteligência humana. “pivotar”? me explica isso, sério. pivotar é basicamente quando a empresa percebe que tá afundando mais rápido que o titanic e decide mudar de direção, mas ao invés de dizer “estamos ferrados”, eles dizem “estamos pivotando”. como se isso fosse uma jogada genial e não um tapa-buraco desesperado.

e aí vem o famigerado “escalável”. tudo agora tem que ser escalável. o café que você toma, o banheiro que você usa, até a forma como você respira tem que ser escalável. ninguém mais pode só fazer o trabalho, não. tem que ser algo que cresça exponencialmente, de preferência com o mínimo esforço da sua parte. é o sonho de todo CEO preguiçoso que quer enriquecer enquanto faz absolutamente nada. “nossa solução é super escalável!” — é, e a sua capacidade de encher o saco também é, aparentemente.

ah, mas nada supera o queridinho de todos: “growth hacking”. o que isso significa? ninguém sabe ao certo. é uma mistura de marketing agressivo, truque barato e sorte de principiante, mas colocaram um nome descolado pra ver se colava. você basicamente pega um estagiário mal pago, joga ele num porão, e fala: “me faça crescer 300% até sexta-feira”. se ele consegue, parabéns, ele virou um growth hacker. se não, você manda ele embora e tenta com outro. o importante é manter a ilusão de que você está “hackeando o crescimento”. spoiler: você não está.

e claro, não posso esquecer do “agile”. o ágil, que de ágil não tem nada. é só uma desculpa para reuniões diárias de 15 minutos que nunca duram 15 minutos. “sprints” que deveriam ser maratonas e retrospectivas que mais parecem sessões de terapia de grupo, onde todo mundo finge que o projeto está indo bem, enquanto o caos reina nos bastidores. mas não se preocupe, está tudo no “pipeline”.

ah, o “burnout”. não, pera, esse não é um termo da moda. é só o que você vai sentir depois de tentar entender esse emaranhado de palavras vazias que não servem pra nada além de criar a ilusão de que você está trabalhando numa startup inovadora e não numa máquina de triturar almas.

então, se antes tínhamos a velha guarda da “sinergia” e do “core business”, agora temos esses novos brilhos nos olhos de todo chefe de terno slim fit. a diferença? nenhum. a mesma m****, só que com um gloss de “inovação disruptiva”.