
meu personagem favorito do charlie brown? fácil: linus. porque ele é o único naquela bagunça filosófica que realmente tenta fazer sentido do caos, enquanto todos os outros estão ocupados com seus próprios pequenos dramas patéticos. ele é o tipo de cara que aparece na sua festa com um cobertor de segurança e, de alguma forma, ainda sai como o mais sensato da sala. isso, claro, diz mais sobre os outros do que sobre ele.
linus é basicamente o hippie existencialista preso no meio de um sitcom de crianças neuróticas. ele carrega um cobertor – um cobertor, pelo amor de deus – como se fosse uma espécie de totem da sua sanidade. e aí você percebe: todo mundo tem seu cobertor, só que o dele é visível. snoopy tem fantasias de ser um ás de guerra (surreal e patético). lucy tem aquele senso inflado de superioridade que é basicamente uma armadilha emocional ambulante. e charlie brown… bem, charlie brown é uma ode viva ao fracasso. mas linus? ele é honesto sobre suas inseguranças, enquanto os outros fingem estar bem.
o mais brilhante em linus é que ele equilibra o ceticismo com uma boa dose de crença cega no great pumpkin. ele acredita no improvável, no impossível, como se fosse algum tipo de santo infantil. mas não é a fé que faz dele fascinante – é a coragem de manter essa crença mesmo sabendo, lá no fundo, que é tudo um grande teatro ridículo. e, claro, é um teatro. o mundo é uma piada cósmica, e linus está lá, no meio da plateia, rindo baixinho enquanto mantém seu cobertor apertado.
ele é o tipo de personagem que você olha e pensa: “esse moleque vai crescer e virar professor de filosofia em alguma universidade obscura.” ou talvez um escritor de manifestos que ninguém lê, exceto alguns poucos lunáticos que o consideram um gênio. ele é um outsider, mas não porque quer ser. ele só é esperto demais para se misturar e honesto demais para fingir que se importa.
então, sim, linus é meu personagem favorito. porque, no final das contas, ele é o mais humano de todos. cheio de contradições, esperanças absurdas e uma consciência dolorosa de que o mundo é um lugar frio e, ao mesmo tempo, cheio de possibilidades. além disso, ele tem o bom senso de carregar um cobertor para quando tudo der errado – o que, convenhamos, sempre dá.