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2025

ontem, por algum descuido, o mundo resolveu ser agradável

ontem saí à rua e vi pessoas sorrindo. não aqueles sorrisos de plástico que a humanidade aprendeu a fabricar para parecer feliz. eram sorrisos de quem havia recuperado alguma coisa. havia uma leveza quase indecente no ar, como se a cidade inteira tivesse finalmente soltado um suspiro que estava preso havia tempo demais.

lembrei de a day in the life, dos beatles. aquela genialidade de perceber que, no meio de todo o absurdo humano, a vida continua acontecendo. e, de vez em quando, surpreendentemente, ela é bonita pra cacete.

tomei meu café observando desconhecidos sorrirem uns para os outros. uma cena banal, diria algum idiota incapaz de reconhecer um milagre sem que ele venha acompanhado de efeitos especiais.

imagino que tanta felicidade tenha causado uma azia monumental em certas pessoas. paciência. o mundo já gastou tempo demais preocupado com o desconforto de quem não suporta a alegria alheia.

mas o que me emocionou não foram os sorrisos. foram os rostos. havia neles algo que nenhum dinheiro compra, nenhuma propaganda fabrica e nenhum discurso consegue imitar.

alívio.

e existe uma beleza brutal no alívio de quem, depois de tanto tempo, volta a respirar sem perceber.

ontem, por algumas horas, a vida não pareceu uma batalha.

pareceu vida.

e, meu deus, como isso fez bem.