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2025

por que vou votar 13. e não, não é porque acredito em papai noel de barba branca.

se eu acreditasse em papai noel, pediria o fim da dependência do pt em relação a lula, o fim do bolsonarismo como negócio de família e um congresso nacional que descobrisse, por um breve instante de iluminação, que o dinheiro público não é uma herança deixada por um tio generoso.

pediria também que políticos respondessem por seus atos sem transformar o cargo numa espécie de seguro contra perguntas inconvenientes.

mas não acredito em papai noel. e, se ele aparecesse em brasília, provavelmente perderia o trenó numa negociação parlamentar, as renas seriam nomeadas para cargos comissionados e alguém apresentaria uma emenda para prolongar o natal por mais cinco anos.

o que eu quero é bastante simples. que o brasil consiga seguir em frente sem depender eternamente de lula e sem entregar o futuro à família bolsonaro.

lula, se reeleito, não poderá disputar novamente a presidência em 2030. o pt terá de apresentar outro nome. não significa que deixará o poder automaticamente, mas a sucessão finalmente deixará de ser um assunto que seus dirigentes podem empurrar para a próxima reunião.

já o bolsonarismo oferece uma solução muito mais prática para a falta de novas lideranças. troca-se o primeiro nome, conserva-se o sobrenome e espera-se que ninguém examine o histórico da empresa.

flávio bolsonaro não é uma folha em branco. seu antigo gabinete esteve no centro das investigações sobre rachadinhas, com fabrício queiroz entre os personagens principais. flávio também homenageou adriano da nóbrega, posteriormente apontado em investigações como ligado à milícia, e teve a mãe e a ex-mulher dele entre as funcionárias do gabinete.

há ainda a reportagem da piauí sobre uma tarde de lancha, durante a pandemia, oferecida por empresários interessados em negociar vacinas com o governo de seu pai. bebidas, acompanhantes, um relógio de luxo.

mas o contraste descrito pela revista é difícil de ignorar. enquanto famílias brasileiras contavam as horas que restavam aos seus parentes, empresários interessados em vender vacinas teriam encontrado tempo para uma tarde de hospitalidade náutica com o filho do presidente.

e não me venham com a indignação seletiva sobre a vida privada de adultos. a questão não é a lancha. é o acesso ao poder e o que se esperava obter dele.

quanto ao pai, não estamos falando apenas de controvérsias. jair bolsonaro foi condenado pelo supremo tribunal federal por crimes relacionados à tentativa de golpe de estado e planejar assassinato. a condenação não depende de quem vença a eleição, e a imunidade parlamentar de flávio não funciona como cobertura jurídica para a família inteira.

ainda assim, o sobrenome continua sendo apresentado como se fosse um programa de governo.

e o que flávio propõe para o funcionamento das instituições merece tanta atenção quanto seu passado.

ele falou em aproveitar um congresso mais favorável para alterar a constituição, discutir mudanças no judiciário, no sistema político e até a duração dos mandatos presidenciais. podendo ir de cinco a oito anos. oito anos.

reformar a constituição é legítimo quando se respeitam seus procedimentos e limites. mas, depois de tudo o que o país viveu em matéria de conflitos institucionais, pedir detalhes sobre essas propostas não deveria ser considerado uma provocação.

o congresso e o senado já exercem enorme influência sobre o orçamento, as leis e a fiscalização do governo. são instituições que deveriam controlar o executivo, inclusive quando concordam politicamente com ele.

e conhecemos suficientemente nossos políticos para saber que a harmonia entre poderes pode produzir bons acordos, mas também pode transformar perguntas inconvenientes em obstáculos que todos preferem remover discretamente.

é a velha história de entregar a faca e o queijo ao rato.

só que, neste caso, o rato também quer a chave da despensa e a presidência da comissão encarregada de investigar o desaparecimento do queijo.

governar exige negociação. presidentes precisam convencer parlamentares, aceitar derrotas, justificar decisões e conviver com a oposição. isso não é uma deficiência do sistema. é parte do sistema.

lula também terá de negociar com um congresso que não foi eleito para obedecer automaticamente ao presidente. isso não garante boas decisões nem elimina os conhecidos vícios da política brasileira. mas impede a fantasia de que a presidência, sozinha, resolve tudo por decreto e entusiasmo.

não quero um governo sem fiscalização. não quero um congresso transformado em departamento de aprovação automática. e não quero que mudanças profundas nas regras institucionais sejam tratadas como um detalhe administrativo que se resolve depois da posse.

também não espero perfeição de lula. o pt tem erros, alianças constrangedoras e decisões que merecem críticas. votar não deveria significar entregar a alguém a propriedade permanente da própria consciência.

quero cobrar qualquer governo, inclusive aquele em que votei.

no fim, quero uma coisa bastante simples. mais quatro anos de lula e, depois, um pt obrigado a descobrir se sabe existir sem ele. se não souber, que desapareça na própria falta de imaginação.

quero também os bolsonaro longe do planalto e respondendo à justiça pelo que for comprovado, sem confundir mandato com salvo-conduto. jair já foi condenado. quanto a flávio, que as perguntas sobre sua trajetória continuem sendo feitas. afinal, quem se apresenta como bom moço não deveria ter medo de mostrar o currículo inteiro.

não acredito em papai noel. tampouco acredito em dinastias redentoras.

quero um país que sobreviva a lula, ao pt e aos bolsonaro.

e, sinceramente, já tivemos bolsonaro suficiente para uma vida inteira. a república não precisa de uma segunda temporada só porque o elenco é da mesma família.

papai noel, infelizmente, não pode providenciar isso.

e, mesmo que pudesse, eu desconfiaria de qualquer sujeito que entra na sua casa de madrugada, não presta contas a ninguém e insiste que devemos acreditar em suas boas intenções apenas porque usa vermelho.

mas nós podemos, votando 13.