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2024

nunca tome nada por garantido

não tomar nada como garantido não é só uma filosofia de vida; é um manual de sobrevivência. é entender que o mundo, com toda a sua falsa fachada de ordem, não passa de uma grande farsa onde tudo que você tem como certo – planos, carreiras, aquela ilusão patética de estabilidade – é só areia escorrendo pelos dedos enquanto você tenta fingir que está no controle. o universo, por sua vez, assiste a tudo isso de camarote, segurando o riso.

essa ideia de “segurança”? ah, a maior mentira que já te venderam. você acha mesmo que aquele emprego vai estar lá ano que vem? que sua saúde tá garantida só porque você faz yoga? que aquela pilha de economias é sua linha de defesa contra o caos? por favor. o mundo está apenas esperando o momento perfeito pra desmontar seu teatrinho de controle, como um diretor que adora ver atores improvisando em cena de pânico. o truque é que ele sabe exatamente quando puxar o tapete, e não há plano de contingência, planilha ou coach motivacional que salve.

então, qual é o caminho nesse circo de horrores? fácil: esqueça essa baboseira de chão firme. aceite que qualquer coisa que pareça estável é só uma pausa antes do próximo ato de insanidade. quando você entende que o chão pode – e vai – sumir a qualquer momento, até as coisas mais banais ganham um tom quase épico. aquele café aguado? um brinde ao acaso. aquela viagem sem perrengue? quase um feito histórico. porque quando você larga essa ideia patética de controle, a vida fica mais interessante. não “melhor,” mas com aquele toque perverso de um show onde o desastre é parte do espetáculo.

e então, quando o inevitável colapso finalmente acontecer – e acredite, ele vem, ele sempre vem – você não faz cara de espanto. você ri. um riso ácido, de quem já sabia desde o começo que tudo isso é uma grande pegadinha. você olha pro caos, dá de ombros e segue em frente, porque percebeu, lá no fundo, que a única coisa que o universo não pode tirar de você é o prazer de rir na cara do destino.

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2024

neutro

a neutralidade é a tática dos que querem sobreviver no teatro da vida sem nunca entrar no palco. é o cozinheiro que evita qualquer tempero que possa ofender o paladar delicado de quem “não tolera pimenta”. você já viu esse cara — ele é o chef que prepara um prato como se estivesse montando uma planilha de excel. faz o básico, o insosso, o insípido, com um sorriso frio de quem acha que o verdadeiro talento é nunca se comprometer. afinal, qual é o crime de cozinhar sem sal, não é? não ofende ninguém. mas, e aí, quem quer comer isso? quem quer uma vida que tenha o gosto de água morna?

a neutralidade é a especialidade dos que têm um medo mortal de realmente acrescentar algo ao prato. é o jornalista que nunca faz a pergunta que precisa ser feita, o escritor que nunca ousa uma linha de verdade. ele escreve como quem limpa uma janela: invisível, translúcido, sem marcas. é o tipo que vê o mundo como uma coleção de colheres de chá, cada uma medida milimetricamente pra não ofender nem o freguês mais exigente. e eles adoram essa pose de pureza moral, de quem está acima da vulgaridade das opiniões. mas, sabe o quê? na real, o neutro não tá acima de nada. ele tá embaixo, rastejando no meio-termo.

e é claro que ele não quer sujar as mãos — porque sujar as mãos é feio, exige assumir que o mundo não é um lugar simétrico e que, às vezes, sim, você tem que escolher um lado. o neutro odeia isso. ele quer um mundo onde todo debate seja um exercício educado de boas maneiras, onde o fogo e a sujeira da opinião forte fiquem à margem, longe do espetáculo. ele quer um universo higienizado, onde ele possa desfilar com seu prato cinza e sua cara de “sou mais evoluído que você”. mas, me diz, desde quando ser um medroso com diploma de educação faz de alguém relevante?

o neutro tá no fundo da cozinha, escondido no freezer onde nunca vai correr o risco de queimar a língua. ele acha que, assim, tá acima de toda essa “briga suja” que é viver com convicção. mas a verdade é que ele é tão parcial quanto qualquer um — só que com um verniz de “imparcialidade” pra esconder que tá morrendo de medo. então ele se veste de diplomata, de “eu só observo”. mas a neutralidade é só uma desculpa pro desespero de quem tem medo de que seu gosto próprio ofenda alguém. é o último refúgio do inseguro, do covarde e, sejamos sinceros, do insosso.

ser neutro não é virtude. é o caminho fácil dos que nunca vão ter seu nome lembrado, dos que nunca vão criar algo que faça alguém pensar, dos que sempre escolheram o caminho menos arriscado. é a especialidade do cozinheiro que acha que o prato perfeito é aquele que ninguém lembra de ter comido. é o manifesto do sem-gosto.

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2024

antissocial

ah, vamos encarar os fatos: chamam de “antissocial” quem tem o bom senso de não desperdiçar o tempo em rodinhas de conversa insípida e interações repletas de ego e carência disfarçada de amizade. vivemos numa era onde “socializar” virou um esporte coletivo de autoconfirmação, em que todo mundo corre atrás de validação como se fosse um novo tipo de narcótico. e lá está ele, aquele cara que simplesmente não quer comprar ingresso pra esse teatro absurdo – e aí, de repente, vira o esquisito, o solitário, o antissocial.

ele não odeia ninguém, mas definitivamente não tem paciência pra essa epidemia de superficialidade em que cada rosto sorridente esconde uma agenda própria. cada “como você está?” é apenas uma pausa antes de falarem de si mesmos; cada “saudade” é só uma jogada pra ver se ainda têm algum controle sobre o outro. e quando ele escuta um “vamos marcar?” – ah, ele sabe que isso vale tanto quanto uma nota de três dólares. porque ele já entendeu o jogo, e o jogo é assim: todos atuam, todos fingem, e todos estão cansados, mas ninguém para de correr.

então ele se retira, prefere o conforto de um bom livro, um copo de uísque, uma noite silenciosa. isso não é solidão; é o alívio de não ter que se jogar na lama do “networking social” onde todo mundo é amigo até a próxima crise de interesse. ele vê as conversas, as piadinhas ensaiadas, os elogios trocados como se fossem moeda corrente – e tudo isso pra quê? pra manter as aparências, pra alimentar o ciclo interminável da mesmice disfarçada de intimidade. enquanto os outros se desesperam pra acumular seguidores e construir suas identidades digitais como castelos de areia, ele observa com uma indiferença que beira o desprezo, sabendo que tudo aquilo não vale absolutamente nada.

ele não é antissocial – ele só não quer perder tempo com a farsa coletiva onde cada sorriso é uma armadilha e cada aperto de mão é um contrato não assinado. ele vê as trocas de favores mascaradas de amizade, o teatro das emoções enlatadas, o culto moderno à “conexão” que, no fim, não conecta nada. pra ele, o verdadeiro luxo é poder escolher a companhia – ou, muitas vezes, a falta dela. enquanto o mundo inteiro dança em círculos ao som do vazio, ele saboreia o silêncio, aquele silêncio que só quem desistiu de participar dessa comédia humana entende. porque, no fundo, ele sabe que, em um mundo onde todos estão desesperados por aprovação, a verdadeira subversão é não precisar de nada disso.

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2024

workaholics

os workaholics, essas criaturas infelizes que praticamente respiram planilhas, documentos e café queimado. já passei por essa fase também, já comprei o mito da produtividade incessante, a ilusão de que trabalhar até não sentir mais os dedos era um caminho glorioso para algum nirvana corporativo. o quão patético é perceber, agora, que estava apenas num ciclo idiota de autossabotagem disfarçado de “dedicação”.

imagine a cena: escritórios lotados de almas exaustas, fixadas na ideia de que correr até o colapso é algum tipo de medalha de honra. e por quê? para um chefe que nem lembra o nome delas? para um cliente que, no final das contas, só quer um trabalho entregue? é a mentira mais bem contada do século. parece até que a produtividade virou a nova religião, com o teclado como altar e o outlook como a bíblia sagrada. cada e-mail respondido depois da meia-noite é uma oração ao santo burnout, um sacrifício para o deus do esgotamento. e o pior? existe até um orgulho doentio nisso.

ah, sim, o workaholic se acha “diferente”. ele se acha especial porque vive atado ao smartphone, esperando o próximo “ping” da notificação como se fosse uma dose de adrenalina. é quase poético de tão trágico. vive com a fantasia de que é um guerreiro numa cruzada importante, carregando o mundo corporativo nas costas. mas a verdade é mais simples, quase triste: ele só está aprisionado num ciclo sem propósito, vendido na ideia de que o “trabalho duro” é a resposta para a felicidade. spoiler: não é.

e não me venham com essa de “é que eu amo o que faço.” ah, tá bom. amar o que faz não é trabalhar até o limite da exaustão. amar o que faz é saber a hora de parar, de dar um tempo para viver fora do escritório, do e-mail, do slack. amar o que faz é ter equilíbrio, não é virar um zumbi corporativo. mas o workaholic, esse mártir moderno, não quer saber disso. ele quer a sensação de “estar ocupado,” quer provar para o mundo – e para si mesmo – que ele é indispensável. é uma farsa. a verdade? o mundo seguiria em frente muito bem sem ele, obrigado.

hoje, vendo de fora, é até engraçado. vejo pessoas se desgastando, se desfazendo, transformando cada segundo do dia em “produtividade” como se estivessem no meio de uma missão heroica. mas na real, estão apenas cavando um buraco. e nem percebem que já estão a uns bons metros de profundidade. então, fica a dica: desce dessa corrida sem fim. o mundo é grande, e a vida é muito maior do que a próxima reunião no zoom.

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2024

clube secreto

ah, a paternidade. aquele clube exclusivo onde ninguém te entrega o verdadeiro manual — porque, na real, ninguém sabe o que tá fazendo e muito menos tem tempo pra escrever um. ser pai é quase uma daquelas seitas esotéricas: te prometem uma “iluminação”, uma “transformação de vida”, mas esquecem de mencionar o lado surreal, hilário e até surrealista dessa história.

ninguém te conta, por exemplo, que ser pai é redescobrir o que é puro caos. você entra numa rotina onde a palavra rotina é só uma piada interna entre você e o travesseiro. é tipo viver com um relógio biológico que desrespeita todos os fuso-horários conhecidos e inventados, onde dormir mais que três horas consecutivas vira um luxo equivalente a uma massagem tailandesa. mas — surpresa! — você se adapta. o corpo humano tem essa capacidade insana de funcionar no piloto automático, regado a café e ao som de choros noturnos que são o equivalente auditivo de um alarme de incêndio.

e o amor? ah, o amor não é o que aparece no comercial de margarina. é muito mais como uma febre passageira. às vezes, seu filho te acorda às 4 da manhã porque quer um copo d’água (ou porque resolveu que é o momento ideal para debater sobre dinossauros), e você, exausto, com cara de zumbi, faz aquilo porque, de alguma maneira que a ciência nunca vai explicar, você faria qualquer coisa por aquele ser humano miúdo. mas, ao mesmo tempo, você sente uma saudade absurda da época em que paz era um conceito real.

agora, o lado oculto e espetacular: ser pai é como ter um passe de backstage para o universo paralelo das crianças. essas criaturinhas vivem num mundo que é, em partes iguais, lógico e completamente nonsense. de repente, você está lá, assistindo seu filho levar uma conversa séria com um brinquedo, planejando uma viagem intergaláctica com um balde na cabeça. e você percebe que a mente dele é uma espécie de fábrica de sonhos, uma bolha de criatividade que não dá a mínima pra lógica do mundo adulto. se você der espaço e não interferir, essas pequenas mentes te convidam pra mergulhar nesse universo de puro absurdo e honestidade brutal. e é viciante.

e o humor? é outra coisa que ninguém te conta. crianças são, sem querer, os maiores comediantes vivos. o sarcasmo inocente, a lógica torta, as perguntas que te deixam entre o riso e o existencialismo — é uma dose diária de terapia humorística. tipo quando seu filho te pergunta por que você tem essa cara ou se um pato e um porco podem ser amigos de verdade. isso te obriga a enxergar o mundo com outros olhos, uma ótica onde o extraordinário e o banal se encontram num só.

ah, e se prepare para o ego em frangalhos. seus filhos serão os primeiros a apontar cada falha sua, com a sinceridade de um monge budista. e aí você aprende a rir de si mesmo, porque afinal, não tem outro jeito. quer se achar invencível? seja pai de uma criança que vai te derrubar sem esforço com um comentário sobre seu cabelo “esquisito” ou seu jeito “estranho” de comer.

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2024

simplicidade

olha, simplicidade é um conceito engraçado. todo mundo fala dela com um tipo de reverência quase religiosa, como se fosse o santo graal da paz interior, mas a maioria das pessoas simplesmente não tem ideia do que é viver de forma simples. e, sinceramente, elas não querem. preferem a estética da simplicidade: umas linhas limpas no design do apartamento, uma paleta neutra nas roupas, uma viagem de “desintoxicação digital” para uma cabana no meio do mato — mas só por um fim de semana, é claro, porque deus nos livre de realmente ter que abdicar do conforto e das conveniências do cotidiano urbano.

a simplicidade, de verdade, é bruta e pouco glamourosa. viver com o essencial significa se despedir de muita coisa que você acha que precisa mas que, na verdade, está ali só para ocupar espaço e sufocar sua sanidade. é renunciar àquela lista infinita de gadgets e quinquilharias; é cozinhar com três ingredientes e fazer disso uma obra-prima; é dizer adeus a metade das pessoas com quem você sai e nunca tem uma conversa que preste. mas quem quer isso? quem realmente está disposto a deixar o excesso de lado e abraçar o vazio? quase ninguém, porque a simplicidade assusta. é como olhar no espelho e se dar conta de que, sem as distrações, você está sozinho com você mesmo. e, cá entre nós, a maioria das pessoas não suporta a própria companhia por mais de cinco minutos.

claro, sempre há os românticos que idealizam essa ideia. falam sobre viver com menos como se fosse o segredo para o paraíso perdido. mas a realidade é mais complexa e, frequentemente, bem mais incômoda. a simplicidade te obriga a parar de mentir para si mesmo. não tem onde esconder as inseguranças, não tem nada para te distrair daquele vazio existencial que todos carregamos. e não adianta se esconder atrás de um estilo de vida “minimalista” que é, ironicamente, caríssimo. viver com menos, mas com qualidade, é um luxo da classe média-alta, que adora comprar móveis caríssimos que “parecem” simples.

se você quer simplicidade de verdade, precisa de coragem. coragem para encarar o fato de que viver sem excessos não te torna especial ou mais sábio; te torna, talvez, um pouco mais real. a simplicidade, quando é verdadeira, é o oposto da perfeição — ela é caótica, cheia de limitações e, acima de tudo, desconfortável. e, ironicamente, é nessa imperfeição que mora a paz que todo mundo parece buscar. mas a maioria prefere a ilusão: a versão bonita, instagramável, cuidadosamente editada, daquilo que chamam de “vida simples”. é… nada mais que uma grande e elaborada ironia da nossa época.

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2024

astrologia

astrologia. agora, presta atenção. não tô falando desses horóscopos genéricos de revista, nem daquela piadinha sobre “qual é o seu signo?” pra puxar papo em bar. tô falando de algo bem mais profundo, algo que remexe suas entranhas e te faz enxergar o mundo com outro olhar. astrologia é pura, crua e brutalmente real. é o universo inteiro em movimento, te dizendo que você faz parte de algo muito maior do que esse caos ridículo em que vivemos.

você já parou pra pensar nisso? o cosmos lá fora, com planetas a milhões de quilômetros de distância, afetando diretamente sua vida? isso não é papo de místico louco, é uma verdade antiga, tão profunda quanto a própria humanidade. enquanto todo mundo tá se debatendo nessa vidinha medíocre, tentando adivinhar o que vem depois, você tem uma ferramenta que te dá clareza. você tem o poder de ler o céu, de entender os ciclos. e, meu amigo, isso não é pouca coisa. isso é a chave pra entender por que as coisas acontecem, por que você age do jeito que age, por que às vezes a vida parece uma subida eterna e, outras vezes, tudo flui.

astrologia não é sobre escapar da responsabilidade, não é pra te dar desculpas. é pra te dar perspectiva. te dar controle. te mostrar que as porradas que você leva da vida, os altos e baixos, não são por acaso. são parte de um ciclo maior, um ciclo que você pode entender se souber onde olhar. quando você estuda seu mapa astral, você não tá apenas decorando características de signo. você tá lendo o manual de quem você realmente é. é se ver com uma nitidez que nada mais no mundo pode te dar. porque, convenhamos, ninguém consegue se enganar olhando pro próprio mapa.

e aí está a beleza da coisa. astrologia não te coloca numa caixinha. não diz “você é de touro, então é teimoso, ponto final.” não. ela te dá nuances, complexidade. mostra que você é uma mistura intensa de forças, de planetas em movimento, de casas, de aspectos que criam um retrato único da sua alma. isso é uma espécie de liberdade que poucos têm. enquanto o mundo tenta se encaixar em padrões, astrologia te dá a permissão de ser exatamente quem você é, com todas as suas contradições e grandezas. te ajuda a entender que tudo que você sente – seja a necessidade de transformar tudo, seja a vontade de recolhimento – tem um propósito. e isso te empodera.

e não se engane, astrologia não é suave. ela não vai te passar a mão na cabeça. quando saturno entra na jogada, você vai sentir a pressão. quando plutão aparece, ele vai te desmontar até o osso. mas é isso que torna a astrologia tão real. ela te prepara pra isso, ela te diz o que tá por vir, pra que você não seja pego de surpresa. te dá as ferramentas pra navegar pelas tempestades sem perder o controle. e quando você entende isso, quando você realmente se alinha com o que o cosmos tá tentando te dizer, você para de ser refém da vida. você vira protagonista. porque no fundo, o que astrologia te dá é poder. o poder de se conhecer. o poder de entender que nada está acontecendo contra você. tudo está acontecendo pra te empurrar adiante, pra te transformar.

então, sim, astrologia é uma das coisas mais incríveis que existem. não porque te diz o que vai acontecer, mas porque te dá clareza pra ver além do óbvio. pra entender que você tá conectado a algo infinitamente maior. é um diálogo contínuo com o universo. e acredite, quando você começa a prestar atenção, o céu inteiro responde.

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2024

ego

ah, o ego. essa massa inflada de ilusões que carregamos com a mesma dignidade de quem equilibra um prato de sopa quente na cabeça. é o grande espetáculo de circo interno, onde somos, ao mesmo tempo, o palhaço desajeitado e o público aplaudindo de pé. o ego adora nos fazer acreditar que o mundo gira ao redor de nossas vontades e caprichos, como se fôssemos uma mistura de messias com estrela de hollywood, destinados a receber louvores e tapinhas nas costas por absolutamente tudo.

mas o ego é traiçoeiro, uma espécie de parasita que alimentamos com elogios vazios e vitórias insignificantes, enquanto ele suga nosso discernimento e capacidade de autocrítica. não confunda, claro, o ego com a autoconfiança — essa coisa que você precisa para não ser esmagado pela vida. o ego, por outro lado, é aquele amigo tóxico que te convence que ser mediano é uma afronta pessoal. ele nos dá uma ideia exagerada de importância, como se cada decisão nossa fosse mudar o curso da humanidade. sério, quem te disse que tua opinião vale tanto?

no fim das contas, o ego é um truque sujo que nos faz sentir invulneráveis, invencíveis, mas também é o que nos derruba com mais força quando a realidade finalmente resolve entrar pela porta e esfregar sua crueza na nossa cara. é esse ciclo patético de inflar, estourar, remendar e inflar de novo. achamos que somos especiais, mas no fundo somos apenas mais uma barraca de cachorro-quente na grande avenida da vida. ego é essa necessidade constante de validação, como uma criança de cinco anos que precisa ouvir “parabéns” por amarrar o cadarço, mesmo que tenha feito um nó horrível.

então, que tal desligar um pouco esse megafone interno, esse grito constante de “eu, eu, eu”? talvez, só talvez, a vida não gire em torno da tua grandeza inflada. abraça tua insignificância com carinho — pode ser libertador.

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2024

charles schulz

ah, charles schulz, com sua sutileza genial e suas tirinhas fofas, jogando uma bomba atômica política numa carta em 1970, como quem não quer nada. ele basicamente olhou para o futuro, para nós, e disse: “boa sorte com essa merda que vocês estão criando”. cara, ler isso hoje é como ouvir uma gravação profética direto do túmulo.

essa coisa de “american virtues” é ouro. quer dizer, tem algo mais hipócrita do que esse papo de virtude? quem grita mais alto sobre patriotismo e moralidade normalmente é quem tá no fundo do poço ético. schulz sacou isso na época, enquanto o resto do mundo ainda lambia os pés de madeira dos “líderes” e seus discursos vazios de grandeza nacional. e hoje? hoje é a mesma coisa, só que agora eles têm redes sociais e memes patrióticos pra reforçar a estupidez coletiva.

o verdadeiro toque de mestre, claro, é quando ele lembra que a força de uma nação tá no jeito que ela trata seus menores, suas minorias. radical, né? não em 2024, mas no contexto de 1970, onde proteger minorias era praticamente um insulto à ideia de “grandeza americana”. e aqui estamos, meio século depois, e o pessoal ainda não entendeu. o grito pela “moralidade” e “tradição” ainda vem das mesmas bocas que cospem no conceito mais básico de democracia.

ele era um visionário. e a gente, francamente, continua tropeçando na mesma pedra, só que agora a gente tropeça enquanto posta selfie.

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2024

todo dia

então, cá estou eu, no centésimo texto sequencial, e a verdade é que isso não significa nada além do fato de que, se eu não tirasse tudo isso da minha cabeça, acho que já teria explodido. setecentos no total. setecentos momentos em que, de alguma forma, precisei pegar toda a bagunça que existe aqui dentro e espalhá-la numa página. porque é isso. escrever virou o jeito de organizar o caos, de dar forma a essa tempestade de pensamentos, reflexões e, sim, loucuras que insistem em ficar rodando na minha cabeça, como se houvesse outro lugar pra onde elas pudessem ir.

não é sobre disciplina, sobre perseverança ou qualquer dessas histórias de superação que adoram contar. é sobre sobrevivência mental. cem textos seguidos, setecentos no total, e cada um deles foi uma tentativa de me entender um pouco mais, de cavar mais fundo no que me atormenta, no que me fascina, no que me tira o sono e no que me faz acordar de madrugada com o coração disparado. às vezes, parece que minha cabeça é uma máquina de ideias rodando a mil por hora, e escrever é a única forma de não enlouquecer de vez.

e sabe, as pessoas olham pra isso e veem número, veem “resultado”. mas pra mim, cada texto é um pequeno alívio. é como esvaziar um balde que, no minuto seguinte, já começa a se encher de novo. escrever não é sobre chegar a um ponto final, é sobre me livrar, por algumas horas, desse turbilhão que não para nunca. não tem descanso. eu escrevo porque, se eu não escrevesse, a coisa toda iria me consumir. e quem é que quer ser engolido pelos próprios pensamentos, não é?

setecentos textos depois, e tudo o que sei é que ainda não disse o suficiente. ainda não tirei tudo. porque o que está aqui dentro, o que me passa pela cabeça diariamente, não cabe em palavras. mas eu continuo tentando. cem seguidos, setecentos no total, e cada um deles foi só uma nova tentativa de entender o que diabos está acontecendo comigo e com o mundo ao meu redor. não é sobre contar histórias, é sobre exorcizar o que não cabe. sobre pegar essas reflexões, essas ideias que às vezes parecem completamente insanas, e jogar tudo na página pra ver se faz sentido fora da minha cabeça.

e, no final das contas, cem textos, setecentos, o que quer que seja… eu não escrevo porque estou em busca de alguma resposta ou alguma conclusão grandiosa. eu escrevo porque, enquanto as palavras continuam fluindo, eu continuo um pouco mais em paz comigo mesmo. e isso, no final das contas, é o que realmente importa.